Casos de leptospirose, gripe e dengue são comuns durante o período chuvoso
Com a quadra chuvosa em curso no Ceará, período que compreende os meses de fevereiro a maio, acende-se o sinal de alerta para o aumento da transmissão de doenças infecciosas, causadas por vírus e bactérias. O contato com água contaminada, a mudança de clima e o aumento da proliferação de mosquitos podem causar sérios riscos à saúde, caso a população não tome os devidos cuidados.
Uma doença cuja incidência aumenta em períodos chuvosos é a leptospirose. A infecção é causada pela bactéria Leptospira, transmitida por meio do contato da pele com água contaminada pela urina de ratos e outros roedores infectados. A maioria dos pacientes acometidos pela doença apresenta sintomas leves, como febre e dor no corpo. Nesses casos, a pessoa geralmente se recupera totalmente após alguns dias.
“Uma pequena parcela dos casos — por volta de 5% — pode ter a forma grave da leptospirose, que cursa com febre, sinais de insuficiência renal, insuficiência respiratória e sangramentos, além de amarelidão nos olhos, decorrente de dano hepático. Caso perceba estar com a forma mais grave da doença, é recomendado buscar atendimento médico o mais rápido possível nas UPAs ou hospitais terciários”, alerta Luís Arthur Brasil, infectologista do Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) referência no tratamento de doenças infecciosas.
O melhor meio de evitar a infecção, segundo o médico, é evitar o contato com água de alagamentos e enchentes, protegendo as partes do corpo que estejam em contato com a água com botas ou sacos plásticos. “Caso haja contato com água contaminada, que seja um contato rápido e que a pessoa imediatamente higienize o local com água e sabão para evitar a infecção”, indica Brasil.
Outra doença possível de adquirir nesta época chuvosa é o tétano, em razão do risco de acidentes com objetos perfurocortantes contaminados pela bactéria Clostridium tetani, geralmente ocultos pelo nível de água elevado das chuvas. “Há o risco de você se ferir com um objeto que você não está vendo ou, então, limpar áreas alagadas e sofrer um trauma em alguma região do corpo. Por isso, é importante estar com a vacinação do tétano em dia”, explica o infectologista.
Mudança do clima favorece aumento de quadros respiratórios
Com a mudança de temperatura, há também a criação de um cenário favorável para o surgimento de diversos vírus respiratórios. “Durante a época chuvosa, o clima flutua, às vezes, com mais umidade, às vezes, com mais calor, sendo uma condição adequada para o surgimento da maioria dos vírus respiratórios: influenza, vírus sincicial respiratório, adenovírus, dentre outros. E quando as pessoas adquirem esses vírus, a transmissão de uma pessoa para outra é uma questão de tempo”, destaca o médico.
A mudança de clima cria um cenário favorável para o surgimento de diversos vírus causadores de infecções respiratórias
Nesse contexto de aumento de infecções respiratórias, principalmente nos meses de março e abril, o médico reforça a importância de manter a vacinação contra a gripe em dia. “E também, sempre que possível, devemos fazer uso de máscaras nos casos em que estamos doentes. Isso faz parte da etiqueta respiratória”, complementa.
Dengue, zika e chikungunya
População deve eliminar possíveis focos de água parada a fim de evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti
Nos dias chuvosos, outro perigo à saúde é o acúmulo de água parada em terrenos baldios, o que aumenta o risco de proliferação dos mosquitos Aedes aegypti e a transmissão das arboviroses: dengue, zika e chikungunya.
“O uso de repelentes é uma alternativa, assim como o combate aos reservatórios responsáveis pela proliferação dos mosquitos, como pneus, vasos de plantas e qualquer local que possa acumular água parada”, aconselha Luís Arthur Brasil.
Por Bárbara Danthéias/Ascom do HSJ
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