Ibovespa cai 3% e Wall Street tomba com escalada da guerra comercial

O Ibovespa recuava mais de 3%, enquanto as ações de Wall Street tombavam nesta sexta-feira (4), com temores de uma guerra comercial global após a China retaliar as tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump. Enquanto isso, o dólar tinha forte alta frente ao real.

Às 11h43, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 3,14%, a 127.020,99 pontos.

No mesmo horário, o dólar à vista saltava 3,11%, a R$ 5,8038 na venda.

China informou nesta sexta que vai impor tarifas recíprocas de 34% sobre todas as importações dos EUA a partir de 10 de abril. Trump respondeu horas depois e disse que a China “jogou errado” após a retaliação.

Bolsas ao redor do mundo caem

Os principais índices de Wall Street recuavam de forma acentuada, sinalizando mais perdas na última sessão da semana com os temores de uma guerra comercial.

Por volta das 11h45 (de Brasília), o S&P 500 caía 4,39%, enquanto o Nasdaq 100 tinha queda de 4,81%, e o Dow Jones recuava 3,72%.

As bolsas europeias também operavam em forte baixa na manhã desta sexta, ampliando os tombos da véspera, à medida que investidores seguem evitando ativos de maior risco após o último tarifaço do governo Trump. O índice pan-europeu Stoxx 600 caía 5,02%, a 496,85 pontos.

Na Ásia, índice Nikkei caiu 2,75% em Tóquio, a 33.780,58 pontos, atingindo o menor nível desde 5 de agosto do ano passado.

Já na Oceania, o mercado australiano entrou em território de correção. As bolsas da China continental, de Hong Kong e de Taiwan não operaram em função de um feriado.

Perdas globais em ações de bancos se acentuam

A liquidação global de ações de bancos tornou-se preocupante com o colapso dos papéis de bancos japoneses nesta sexta para marcar a pior perda semanal em pelo menos 40 anos, enquanto os credores dos Estados Unidos e da Europa continuavam a cair conforme o temor de uma recessão global varria os mercados.

As quedas desta semana de 20% ou mais nas ações dos três megabancos do Japão são as maiores desde a crise financeira de 2008.

Guerra comercial

Trump havia anunciado na quarta-feira uma tarifa de 34% sobre a China, além dos 20% que ele já havia adotado neste ano, elevando o total de novas taxas para 54%. Ele apresentou uma taxa mínima de 10% sobre todas as importações dos EUA, com tarifas mais altas para determinados parceiros.

“A resposta da China às novas tarifas dos EUA aumentou as preocupações do mercado. Não apenas com o impacto econômico direto dessas tarifas… A preocupação é que a medida possa levar a uma possível escalada adicional da guerra comercial pelo lado norte-americano”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.

Diante da perspectiva de que as tensões comerciais possam escalar ainda mais, à medida que outros parceiros dos EUA, como a União Europeia, também preparam suas respostas às tarifas de Trump, os investidores voltavam a fugir de ativos mais arriscados em busca da segurança.

Na quinta-feira as moedas de países emergentes haviam sido beneficiadas pela fuga de risco global. A percepção era de que uma recessão econômica nos EUA levaria a cortes antecipados na taxa de juros pelo Federal Reserve, o que favoreceria o diferencial de juros desses países.

No Brasil, em particular, o fato de a taxação do país pelos EUA ter ficado restrita à alíquota mínima de 10% também havia sido motivo de alívio, deixado os agentes financeiros um tanto mais otimistas em relação ao país.

Na véspera, o dólar à vista fechou em baixa de 1,18%, a R$ 5,6290 — menor cotação de fechamento desde 16 de outubro do ano passado.

Nesta sessão, no entanto, as divisas emergentes também eram afetadas pelo movimento de aversão, com o dólar avançando de forma acentuada sobre o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno.

Economia dos EUA e Fed

No radar dos mercados ainda estavam novos dados de emprego da maior economia do mundo, com o governo norte-americano informando que foram abertos 228.000 postos de trabalho no país em março, acelerando em relação ao mês anterior e bem acima dos 135.000 previstos em pesquisa da Reuters.

Operadores precificam pelo menos quatro cortes de juros pelo Fed neste ano, à medida que projetam que o banco central dos EUA terá que atuar para tentar evitar uma recessão. Antes do anúncio de Trump, a projeção era de apenas duas reduções na taxa.

Fonte: CNN Brasil

 


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação para Humanos